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JOSIANE DIAS, EXPOSIÇÃO "O MUNDO FLUTUANTE"

 

“O mundo flutuante” da fotógrafa Josiane Dias

Durante cinco anos, a fotógrafa curitibana voltou ao mesmo lugar com um novo olhar para registar as flores que se desprendiam das árvores e mergulhavam no espelho d’água do New York Botanical Garden, no bairro do Bronx, em Nova Iorque (EUA).

Mais de 100 tipos de flores foram registados em milhares de cliques, 10 deles compõem a cuidadosa seleção exibida na Design Désir. A exposição do conjunto é inédita. Apenas duas fotos da série estiveram em exposições coletivas, em 2018, na galeria Rosso Cinabro e na biblioteca Elsa Morante, em Roma, na Itália.

 

 

 

 

Ciclo infinito

A coleção de flores que flutuam foi inspirada na cultura japonesa Ukiyo-e, estilo de xilogravura e pintura, que predominou no Japão no período Edo (1603-1868). Nas palavras de Josiane Dias, esta série representa a natureza transitória e efémera da vida, assim como o reino dos prazeres mundanos.

O termo “ukiyo", no Budismo japonês, também representa o ciclo interminável de nascimento, vida, morte e renascimento. As flores e folhas retratadas nesta série passam por um processo de transformação, entre vida e morte, auge, desprendimento e renovação.

As flores que flutuavam na água estavam a cumprir um ciclo. Germinaram, cresceram, amadureceram, desprenderam-se da árvore, caíram no tanque de água, flutuaram, entraram em decomposição e deram espaço a novas flores que igualmente cumpriram seu ciclo.

Josiane Dias viveu um período no Japão onde se encantou com a cultura japonesa, que valoriza a beleza e aceita a efemeridade da vida.

Para Josiane Dias, essas flores e folhas representam o indivíduo com sua trajetória pessoal e única vivenciando o final ou a transformação de um ciclo. Elas retratam uma vida em mudança e sempre em movimento, a passagem do tempo e o processo de amadurecimento.

“Minha fotografia quer tirar o expectador do quotidiano e depois devolvê-lo ao quotidiano com um novo olhar. Quero que minha fotografia seja um portal”, afirma Josiane Dias sobre a coleção.

 

 

 

 

Josiane Dias

A fotógrafa brasileira Josiane Dias (1966) nasceu e cresceu na fria Curitiba, imersa no mundo das artes e dos livros. Atualmente, vive e trabalha entre Brasília e São Paulo. Desde 1993, quando saiu de sua cidade natal, viveu em Genebra, Tóquio, Nova Iorque e Tel Aviv. Viver em países e culturas diferentes influenciou sua fotografia em diversos níveis.

O seu trabalho é inspirado na paisagem urbana e natural, mas não no sentido literal. Ela procura o inesperado e o detalhe despercebido dessas paisagens, algo efémero, poético.

Josiane Dias estudou no International Center of Photography (ICP) e na National Academy School, ambas em Nova Iorque.

O seu trabalho foi apresentado em várias exposições coletivas em Nova Iorque, incluindo o National Academy Museum, Soho Photo Gallery e a sede da Organização das Nações Unidas, entre outras. Também participou de exposições coletivas em Genebra, Veneza, Roma, Tel Aviv e Nagóia.

Teve quatro exposições individuais, sendo a primeira na Galeria do Consulado Brasileiro, em Nova York (2015), a segunda na Galeria Jaffa Theather, em Telavive  (2017), a terceira na Galeria espace_L, em Genebra (2020) e a quarta na Galeria Karla Osorio (2022), em Brasília. Participou igualmente em feiras de arte internacionais tais como SCOPE Miami, ARTEXPO e The Affordable Art Fair, em Nova Iorque.

O seu trabalho está incluído em coleções particulares nos Estados Unidos, no Brasil, em Israel e na Suíça.