Ainda não tem produtos!

A cadeira OTI, desenhada por Niels Gammelgaard em 1986 para a IKEA, destaca-se pela sua estrutura em aço lacado e geometria quase escultórica, evocando a forma de um diamante assente sobre uma base triangular.
Com volumes generosos e uma construção singular, a peça pertence a uma fase em que a IKEA ainda explorava soluções de design com maior liberdade formal, antes da forte otimização logística que viria a caracterizar a marca nas décadas seguintes. Nesse contexto, a OTI surge como um objeto mais expressivo e experimental dentro do universo do mobiliário industrial.
Alguns designers de referência colaboraram com a IKEA sobretudo entre os anos 1960 a 1980, período em que a marca ainda se afirmava como campo de investigação para o design escandinavo contemporâneo.
Peça acompanhada pela almofada original.
Dimensões: C94cm x L102cm x A80cm

Niels Gammelgaard (1944)
Niels Gammelgaard é um designer industrial dinamarquês cuja obra se inscreve na tradição do design escandinavo mais rigoroso: funcional, depurado e profundamente atento à lógica construtiva dos objetos.
A sua linguagem nasce da engenharia aplicada ao quotidiano, onde cada decisão formal parece responder menos a um gesto estilístico e mais a uma necessidade estrutural clara. Ao longo da sua carreira, desenvolveu peças que traduzem a ideia de que o design pode ser reduzido ao essencial sem perder presença — pelo contrário, ganhando força precisamente na economia dos meios.
As suas colaborações com a IKEA marcaram uma geração de mobiliário acessível com uma estética leve e inteligente, em que a estrutura muitas vezes se torna o próprio desenho. Em paralelo, o trabalho com a Bang & Olufsen levou essa mesma disciplina formal para o universo dos objetos eletrónicos, sempre com a mesma intenção: eliminar ruído visual e deixar que a função organize a forma.
O que distingue Gammelgaard não é a busca por impacto, mas por clareza. As suas peças não pedem atenção imediata — sustentam-se no tempo, na utilidade e na coerência interna. Há nelas uma espécie de silêncio industrial bem resolvido, onde o design não se impõe, mas se confirma no uso.
No contexto da Design Désir, o seu trabalho dialoga com uma ideia de modernismo discreto: peças que não dependem de moda, mas de estrutura; não de excesso, mas de inteligência construtiva.