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POLTRONA MOLECA, SERGIO RODRIGUES, BRASIL 1963

A poltrona Moleca, desenhada por Sérgio Rodrigues, foi produzida pela primeira vez em 1963 como a versão de exportação da icónica Poltrona Mole (1957). O próprio designer batizou-a de “Moleca”, substituindo as designações iniciais “Mole Ex” e “Mole Exportação”, num gesto que reforça o carácter mais leve e internacional desta interpretação.

A peça apresenta uma estrutura em madeira maciça de jacarandá, cuja presença quente e expressiva sustenta toda a construção. A almofada generosa, revestida a couro natural, repousa sobre precintas também em couro, criando o equilíbrio característico entre robustez estrutural e conforto descontraído que define o trabalho de Rodrigues.

Este exemplar é original de época. A estrutura mantém-se no seu estado original, sem intervenções de restauro, preservando a autenticidade e a integridade histórica da peça. As almofadas e precintas em couro foram refeitas há cerca de 20 anos, encontrando-se atualmente em bom estado de conservação, com suaves marcas de uso que acrescentam caráter e testemunho do tempo.

Proveniente de coleção privada no Brasil, esta Moleca carrega consigo não apenas o desenho emblemático de um dos grandes mestres do design brasileiro, mas também a patina discreta de uma peça vivida, que atravessa décadas mantendo a sua força estética e cultural.

 

Dimensões:  C83/104cm x L76 x AA40cm x A74cm

Peso: 27kg

 

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Sérgio Rodrigues (1927–2014), Rio de Janeiro, Brasil

Sérgio Rodrigues é um dos nomes mais marcantes do design e da arquitetura brasileira, responsável por construir uma linguagem própria que ajudou a definir a identidade do mobiliário modernista no Brasil.

Como escreve Maria Cecília Loschiavo dos Santos (historiadora de design e professora da Universidade de São Paulo), “de todos os designers brasileiros, Sérgio Rodrigues talvez seja o mais profundamente comprometido com os valores e materiais da terra, tendo se arraigado a formas e padrões da cultura brasileira”. Essa leitura ajuda a compreender a essência do seu trabalho: uma modernidade que não se afasta das raízes, mas nasce delas.

Mais do que seguir um estilo internacional, procurou traduzir o Brasil em forma, matéria e utilidade. O seu trabalho nasce de uma relação profunda com os materiais e com o modo de viver local, integrando de forma natural arquitetura, design e desenho numa mesma prática contínua.

O seu trabalho emerge num momento decisivo da cultura brasileira - a construção de Brasília, o surgimento da Bossa Nova e do Cinema Novo - quando o país vivia um impulso coletivo de invenção e modernidade. Sérgio percebeu que a arquitetura modernista precisava de um mobiliário que acompanhasse essa nova sensibilidade: mais livre, mais confortável e mais conectado ao clima e ao corpo brasileiros. Madeira, couro e formas generosas tornam-se a sua linguagem.

Em 1955, fundou a Oca, um espaço que era simultaneamente fábrica, estúdio e galeria. Mais do que uma empresa, a Oca expressava uma visão: aproximar tradição e modernidade a partir de uma ideia de simplicidade essencial, quase arquetípica, inspirada na casa indígena.

Ao longo da sua carreira, desenvolveu cerca de 1.200 peças de mobiliário,  grande parte cadeiras, além de peças criadas para projetos de interiores emblemáticos, como a Universidade de Brasília, a Embaixada do Brasil em Roma, o Palácio dos Arcos, o Teatro Nacional de Brasília e a editora Bloch.

As suas peças de design romperam, com conceitos clássicos como a rigidez do sentar formal, introduzindo uma nova relação com o corpo — mais relaxada, informal e sensorial. A mais emblemática delas, a Poltrona Mole (1957), sintetiza essa visão: estrutura em madeira torneada, tiras de couro e almofadas amplas que convidam ao descanso profundo, evocando a informalidade da rede brasileira.

Também o banco Mocho (1954) revela essa mesma busca por síntese formal e inteligência construtiva, reduzindo o objeto ao essencial sem perder caráter.

A obra de Sérgio Rodrigues permanece como uma das expressões mais consistentes de um modernismo brasileiro enraizado — não como cópia de um movimento internacional, mas como interpretação própria de um modo de viver.

 

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